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ARISCAT: escore de risco de complicações pulmonares pós-operatórias

Atualizado em

O ARISCAT (Assess Respiratory Risk in Surgical Patients in Catalonia) é um escore de risco de complicações pulmonares pós-operatórias publicado por Canet e colaboradores em 2010, na Anesthesiology. Foi derivado de uma coorte de base populacional de 2.464 pacientes operados sob anestesia geral, neuroaxial ou bloqueio regional em 59 hospitais da Catalunha. No estudo original, 5% tiveram complicação pulmonar, e a mortalidade em 30 dias foi de 19,5% nesse grupo, contra 0,5% nos demais.

As 7 variáveis do ARISCAT

Cada variável tem peso próprio, derivado do modelo de regressão do estudo original, e o escore total vai de 0 a 123 pontos. Quatro variáveis dependem do paciente e três do procedimento proposto.

VariávelPontos
Idade: 51 a 80 anos / acima de 80 anos3 / 16
SpO2 pré-operatória em ar ambiente: 91% a 95% / ≤ 90%8 / 24
Infecção respiratória no último mês17

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Classes de risco do ARISCAT

ClassePontuaçãoComplicações pulmonares (estudo original, amostra de validação)Complicações pulmonares (validação PERISCOPE, observado)
Baixo risco< 261,6%3,4%
Risco intermediário26 a 4413,3%13,0%
Alto risco≥ 4542,1%38,0%

A complicação pulmonar pós-operatória foi definida como um desfecho composto: infecção respiratória, insuficiência respiratória, broncoespasmo, atelectasia, derrame pleural, pneumotórax ou pneumonite aspirativa.

Validação externa: no estudo PERISCOPE (5.099 pacientes analisados em 63 centros europeus), o ARISCAT manteve boa discriminação (estatística C de 0,80), mas subestimou o risco nas classes baixa e intermediária (previsto de 0,87% e 7,82%; observado de 3,39% e 12,98%) e teve desempenho inferior no Leste Europeu. O escore ordena bem os pacientes por risco; o percentual absoluto deve ser lido com cautela.

Exemplo prático

Caso ilustrativo (fictício): homem de 68 anos, SpO2 de 93% em ar ambiente, tratado de traqueobronquite há duas semanas, para herniorrafia inguinal eletiva com duração prevista inferior a 2 horas, sem anemia.

Total: 28 pontos, risco intermediário. Dos 28 pontos, 17 vêm da infecção recente, o fator mais claramente transitório. Em cirurgia eletiva, o achado sustenta discutir com o cirurgião e o anestesiologista o momento da operação; sem esse fator, o paciente ficaria em risco baixo (11 pontos).

Uso perioperatório e limitações

O ARISCAT estima risco pulmonar, não cardiovascular: complementa índices como o índice de Lee e o EMAPO, sem substituí-los, e não equivale à classificação ASA. Como incisão, duração e caráter de urgência entram no cálculo, o escore deve ser feito com a cirurgia efetivamente proposta e com a duração estimada pela equipe cirúrgica; mudar o procedimento muda o resultado.

O modelo não inclui diretamente doença pulmonar obstrutiva crônica, tabagismo, obesidade ou apneia obstrutiva do sono, que continuam fazendo parte da avaliação clínica. Para o rastreamento de apneia, o STOP-Bang é complementar. Em risco intermediário ou alto, o resultado serve de base para a equipe discutir estratégias de proteção pulmonar perioperatória.

Como o ARISCAT aparece no laudo

No Risco MED, o ARISCAT é calculado automaticamente a partir dos dados do paciente e da cirurgia proposta e registrado no laudo com a pontuação total e a classe de risco, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.

Perguntas frequentes

O que significa ARISCAT?

Assess Respiratory Risk in Surgical Patients in Catalonia, nome do grupo e do estudo catalão que derivou o escore, publicado por Canet e colaboradores em 2010.

Qual pontuação do ARISCAT indica alto risco?

45 pontos ou mais. Abaixo de 26 pontos o risco é baixo e, de 26 a 44, intermediário. Na validação europeia PERISCOPE, 38,0% dos pacientes da classe alta tiveram complicação pulmonar pós-operatória.

O ARISCAT substitui a avaliação de risco cardíaco?

Não. Ele estima apenas o risco de complicações pulmonares. O risco cardiovascular é avaliado à parte, com índices como o de Lee, e os dois resultados se complementam no laudo.

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Referências

  1. Canet J, Gallart L, Gomar C, Paluzie G, Vallès J, Castillo J, et al. Prediction of postoperative pulmonary complications in a population-based surgical cohort. Anesthesiology. 2010;113(6):1338-50. doi:10.1097/ALN.0b013e3181fc6e0a
  2. Mazo V, Sabaté S, Canet J, Gallart L, de Abreu MG, Belda J, et al. Prospective external validation of a predictive score for postoperative pulmonary complications. Anesthesiology. 2014;121(2):219-31. doi:10.1097/ALN.0000000000000334

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.