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Índice de Comorbidade de Charlson: como calcular e interpretar

Atualizado em

O Índice de Comorbidade de Charlson (Charlson Comorbidity Index, CCI) foi publicado por Mary Charlson e colaboradores em 1987 para classificar a comorbidade com valor prognóstico. Derivado em pacientes internados em enfermaria clínica, estima a mortalidade em 1 ano; a versão ajustada por idade, de 1994, foi validada em pacientes submetidos a cirurgia eletiva.

As condições do índice de Charlson e seus pesos

São 19 condições, cada uma com peso de 1, 2, 3 ou 6 pontos, proporcional ao risco relativo de morte no estudo de derivação. A soma é o escore:

VariávelPontos
Infarto agudo do miocárdio prévio1
Insuficiência cardíaca congestiva1
Doença arterial periférica1

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Mortalidade por faixa do índice de Charlson

Escore de CharlsonPacientes (n)Mortalidade em 1 ano (coorte de derivação)
018112%
1 a 222526%
3 a 47152%
5 ou mais8285%

Os percentuais vêm de 559 pacientes internados em enfermaria clínica, população de mortalidade basal elevada. Na coorte de validação (685 mulheres com câncer de mama, seguimento de 10 anos), a mortalidade atribuível a comorbidade foi de 8%, 25%, 48% e 59% para escores 0, 1, 2 e 3 ou mais.

Ajuste por idade: em 1994, Charlson e colaboradores mostraram, em 226 pacientes hipertensos ou diabéticos submetidos a cirurgia eletiva, que cada década de idade tem risco relativo de morte semelhante ao de 1 ponto de comorbidade (cerca de 1,4). Daí a versão combinada: 1 ponto aos 50–59 anos, 2 aos 60–69, 3 aos 70–79 e 4 a partir dos 80. Os percentuais da tabela acima referem-se ao escore sem idade.

Exemplo prático

Caso ilustrativo (fictício): homem de 74 anos com insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes sem lesão de órgão-alvo, candidato a colectomia.

Charlson 3 (faixa de 3 a 4) e Charlson ajustado por idade 6. O dado documenta alta carga de comorbidade e reforça a discussão sobre expectativa de vida e objetivos do tratamento; o risco cardiovascular da cirurgia continua a ser estimado pelos índices específicos.

Uso perioperatório e limitações

O Charlson mede comorbidade e prognóstico de longo prazo, não complicações cirúrgicas. Não considera o porte da cirurgia, a capacidade funcional nem a gravidade de cada doença além das categorias previstas, e por isso não substitui o índice de Lee, o NSQIP-MICA ou o P-POSSUM. Seu papel no laudo é dar uma medida padronizada da carga de doença crônica, útil em idosos e em decisões compartilhadas sobre cirurgia eletiva. As taxas de mortalidade de 1987 refletem a medicina da época e não devem ser comunicadas como risco individual atual.

Como o Charlson aparece no laudo

No Risco MED, o índice de Charlson é calculado automaticamente e registrado no laudo com a pontuação, ao lado dos outros índices que o médico selecionar.

Perguntas frequentes

O índice de Charlson é um escore de risco cirúrgico?

Não diretamente. Foi derivado para estimar a mortalidade em 1 ano de pacientes clínicos internados e quantifica a carga de comorbidades. Não substitui os índices de risco cardíaco ou pulmonar perioperatório.

Como funciona o ajuste por idade do índice de Charlson?

Na versão combinada de 1994, soma-se 1 ponto por década a partir dos 50 anos: 50 a 59 anos, 1 ponto; 60 a 69, 2; 70 a 79, 3; 80 anos ou mais, 4.

Qual a diferença entre o índice de Charlson e a classificação ASA?

A classificação ASA é uma avaliação global e subjetiva do estado físico. O Charlson soma pesos fixos atribuídos a condições crônicas definidas e foi derivado para prever mortalidade, não complicações perioperatórias.

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Referências

  1. Charlson ME, Pompei P, Ales KL, MacKenzie CR. A new method of classifying prognostic comorbidity in longitudinal studies: development and validation. J Chronic Dis. 1987;40(5):373-83. doi:10.1016/0021-9681(87)90171-8
  2. Charlson M, Szatrowski TP, Peterson J, Gold J. Validation of a combined comorbidity index. J Clin Epidemiol. 1994;47(11):1245-51. doi:10.1016/0895-4356(94)90129-5

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.