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Escore de Caprini: risco de TEV no paciente cirúrgico e profilaxia

Atualizado em

O escore de Caprini é um modelo de avaliação do risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes cirúrgicos, que soma pontos de fatores do paciente e do procedimento. Difundido na versão publicada por Caprini em 2005, passou a orientar a profilaxia em cirurgia geral e abdominopélvica na diretriz do American College of Chest Physicians (ACCP) de 2012.

Variáveis do escore de Caprini

Cada fator de risco presente soma 1, 2, 3 ou 5 pontos, e o resultado é a soma de todos os fatores:

Fator de riscoPontos
Idade de 41 a 60 anos1
Cirurgia de pequeno porte1
Índice de massa corporal (IMC) >25 kg/m²1

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Categorias de risco e profilaxia (ACCP 2012)

PontosCategoriaRisco basal estimado de TEV sem profilaxiaProfilaxia sugerida (cirurgia geral e abdominopélvica)
0Muito baixo<0,5%Deambulação precoce, sem profilaxia farmacológica (1B) ou mecânica (2C) específica
1–2Baixo~1,5%Profilaxia mecânica, de preferência compressão pneumática intermitente (2C)
3–4Moderado~3,0%Heparina de baixo peso molecular (HBPM) (2B), heparina não fracionada (HNF) em baixa dose (2B) ou compressão pneumática intermitente (2C)
≥5Alto~6,0%HBPM ou HNF em baixa dose (1B), com possível associação de meia elástica ou compressão pneumática (2C); em cirurgia oncológica abdominal ou pélvica, HBPM estendida por 4 semanas (1B)

Os riscos basais foram estimados pela diretriz a partir do TEV sintomático em 30 dias observado no estudo de validação de Bahl e colaboradores (8.216 pacientes de cirurgia geral, vascular e urológica: 0%, 0,7%, 1,0% e 1,9% nas quatro faixas), ajustado pela profilaxia recebida. Nas categorias moderada e alta com alto risco de sangramento, a diretriz sugere profilaxia mecânica até que a farmacológica seja segura (2C).

Atenção à faixa de corte: no texto da diretriz ACCP 2012, as categorias aparecem como muito baixo (0–1), baixo (2), moderado (3–4) e alto (≥5); a tabela da mesma diretriz usa 0 e 1–2. A tabela acima segue a forma mais difundida. A própria diretriz observa que o modelo não foi desenvolvido com métodos estatísticos rigorosos, embora seja de uso simples.

Exemplo prático

Caso ilustrativo (fictício): homem de 55 anos, IMC de 29 kg/m², para colecistectomia videolaparoscópica com duração prevista acima de 45 minutos, sem outros fatores de risco.

Total: 4 pontos, risco moderado (risco basal estimado de cerca de 3,0%). Sem alto risco de sangramento, a diretriz sugere HBPM, HNF em baixa dose ou compressão pneumática intermitente.

Uso no perioperatório e limitações

A diretriz SBC 2024 lembra que os índices de risco cardíaco, como o índice de Lee, não contemplam o risco de TEV, altamente prevalente e prevenível no perioperatório; ele precisa ser estimado à parte. No paciente cirúrgico, essa é a função do Caprini. O escore de Pádua e o IMPROVE-VTE foram derivados em pacientes clínicos internados e não pontuam o porte nem a duração da cirurgia.

Limitações: vários itens dependem de anamnese dirigida (TEV familiar, trombofilia, abortamentos de repetição) e somem quando não são perguntados; há versões do escore com pequenas diferenças, por isso convém registrar qual foi usada; e cirurgias ortopédicas maiores seguem diretriz própria. O IMPROVE-Bleeding foi derivado em pacientes clínicos e não substitui a avaliação do risco hemorrágico do procedimento. No laudo, o adequado é registrar a pontuação e a categoria como risco estimado, deixando a escolha e o momento da profilaxia com a equipe cirúrgica.

Como o escore de Caprini aparece no laudo

No Risco MED, o escore de Caprini é calculado automaticamente e registrado no laudo com a pontuação total e a categoria de risco de TEV, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o escore de Caprini e o escore de Pádua?

O Caprini foi construído para pacientes cirúrgicos e pontua o tipo e a duração da cirurgia. O Pádua foi derivado em pacientes clínicos internados e não avalia o procedimento. No paciente que vai operar, o Caprini é a ferramenta indicada para estimar o risco de TEV ligado à cirurgia.

A partir de quantos pontos o Caprini indica profilaxia farmacológica?

Na diretriz ACCP 2012, a partir de 3 pontos (risco moderado) a heparina de baixo peso molecular ou a heparina não fracionada em baixa dose passam a ser opções. Com 5 ou mais pontos (risco alto), a profilaxia farmacológica é recomendada, desde que o risco de sangramento não seja alto.

O escore de Caprini vale para cirurgia ortopédica?

A diretriz ACCP 2012 que usa o Caprini trata de cirurgias não ortopédicas. Artroplastia de quadril ou joelho e fratura de quadril têm diretriz própria, em que a profilaxia é indicada pelo tipo de cirurgia. No Caprini, esses procedimentos já somam 5 pontos isoladamente.

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Referências

  1. Caprini JA. Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care. Dis Mon. 2005;51(2-3):70-8.
  2. Gould MK, Garcia DA, Wren SM, Karanicolas PJ, Arcelus JI, Heit JA, et al. Prevention of VTE in nonorthopedic surgical patients: Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines. Chest. 2012;141(2 Suppl):e227S-e277S.
  3. Bahl V, Hu HM, Henke PK, Wakefield TW, Campbell DA Jr, Caprini JA. A validation study of a retrospective venous thromboembolism risk scoring method. Ann Surg. 2010;251(2):344-50.
  4. Falck-Ytter Y, Francis CW, Johanson NA, Curley C, Dahl OE, Schulman S, et al. Prevention of VTE in orthopedic surgery patients: Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines. Chest. 2012;141(2 Suppl):e278S-e325S.
  5. Gualandro DM, Fornari LS, Caramelli B, et al. Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(9):e20240590.

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.