MELD no risco cirúrgico: fórmula do MELD e do MELD-Na na cirrose
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O MELD (Model for End-Stage Liver Disease) nasceu em 2000, na Mayo Clinic, para prever a sobrevida após TIPS, e foi validado em 2001 por Kamath e colaboradores para mortalidade em 3 meses na doença hepática avançada. Usa apenas bilirrubina, INR e creatinina e é um dos preditores mais estudados de mortalidade pós-operatória no paciente com cirrose.
As variáveis do MELD
Cada exame entra pelo seu logaritmo natural, multiplicado por um coeficiente (versão da UNOS/OPTN):
| Variável | Coeficiente |
|---|---|
| Creatinina sérica (mg/dL) | 0,957 |
| Bilirrubina total (mg/dL) | 0,378 |
| INR | 1,120 |
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Registre-se no Risco MEDFórmula do MELD e do MELD-Na
MELD = 10 × [0,957 × ln(creatinina) + 0,378 × ln(bilirrubina) + 1,120 × ln(INR) + 0,643], arredondado para o inteiro. Valores abaixo de 1,0 são considerados 1,0. Na regra clássica da UNOS/OPTN, a creatinina é limitada a 4,0 mg/dL e assume esse valor em quem fez diálise ao menos duas vezes na semana anterior; o escore máximo é 40.
MELD-Na (OPTN, 2016), aplicado quando o MELD é maior que 11: MELD-Na = MELD + 1,32 × (137 − Na) − [0,033 × MELD × (137 − Na)], com o sódio limitado entre 125 e 137 mmol/L. A inclusão do sódio veio do estudo de Kim e colaboradores (2008), em que a hiponatremia previu mortalidade na lista de transplante independentemente do MELD.
| MELD | Dado publicado | Fonte |
|---|---|---|
| < 8 | Mortalidade em 30 dias de 5,7% | Teh 2007 |
| ≥ 15 | Mortalidade em 30 dias de 29% em cirurgia abdominal | Telem 2010 |
| ≥ 15 | Considerar avaliação para transplante antes de cirurgia eletiva | AGA 2019 |
| > 20 | Mortalidade em 30 dias acima de 50%; alto risco | Teh 2007; AGA 2019 |
Teh e colaboradores estudaram 772 cirróticos operados na Mayo Clinic entre 1980 e 2004 (586 cirurgias digestivas, 107 ortopédicas e 79 cardiovasculares). Na análise multivariada, apenas MELD, classe ASA e idade previram mortalidade em 30 e 90 dias, em 1 ano e a longo prazo, independentemente do tipo de cirurgia. Esse é o modelo de risco pós-operatório da Mayo Clinic, disponível como calculadora on-line.
Exemplo prático
Caso ilustrativo (fictício): mulher de 62 anos com cirrose por hepatite C, candidata a colecistectomia por colecistite de repetição.
- Creatinina 1,2 mg/dL; bilirrubina 2,0 mg/dL; INR 1,5
- MELD: 10 × (0,174 + 0,262 + 0,454 + 0,643) ≈ 15
- Sódio 132 mmol/L: 15 + 1,32 × 5 − 0,033 × 15 × 5 ≈ 19 (MELD-Na)
MELD 15 e MELD-Na 19: faixa em que a AGA sugere considerar avaliação para transplante antes de cirurgia eletiva. O laudo deve registrar os dois valores e recomendar discussão com a hepatologia.
MELD e Child-Pugh no pré-operatório
O MELD é objetivo e contínuo; o Child-Pugh incorpora ascite, encefalopatia e albumina, que o MELD clássico não considera. Telem e colaboradores mostraram que, com MELD ≥ 15, a albumina ≤ 2,5 g/dL elevou a mortalidade para 60%, contra 14% com albumina maior. Por isso a AGA recomenda usar mais de um método. O INR é distorcido por varfarina, e a creatinina subestima a disfunção renal em pacientes sarcopênicos. Nenhum dos dois estima risco cardiovascular, que segue com o índice de Lee e a classificação ASA.
Como o MELD aparece no laudo
No Risco MED, o MELD é calculado automaticamente e registrado no laudo com o valor obtido, ao lado dos outros índices que o médico selecionar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre MELD e MELD-Na?
O MELD-Na acrescenta o sódio sérico ao MELD original, porque a hiponatremia se associa a maior mortalidade na cirrose. Na versão da OPTN, a correção é aplicada quando o MELD é maior que 11, com o sódio limitado entre 125 e 137 mmol/L.
Qual MELD indica alto risco cirúrgico?
No estudo da Mayo Clinic (Teh, 2007), a mortalidade em 30 dias variou de 5,7% com MELD abaixo de 8 a mais de 50% com MELD acima de 20. A AGA considera alto risco o MELD acima de 20 e sugere avaliação para transplante antes de cirurgia eletiva quando o MELD é 15 ou mais.
O que é o modelo de risco pós-operatório da Mayo Clinic para cirrose?
É um modelo derivado de 772 cirróticos submetidos a cirurgia de grande porte que combina MELD, classe ASA e idade para estimar a mortalidade pós-operatória em 30 e 90 dias, em 1 ano e a longo prazo.
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- Malinchoc M, Kamath PS, Gordon FD, Peine CJ, Rank J, ter Borg PC. A model to predict poor survival in patients undergoing transjugular intrahepatic portosystemic shunts. Hepatology. 2000;31(4):864-71. doi:10.1053/he.2000.5852
- Kamath PS, Wiesner RH, Malinchoc M, Kremers W, Therneau TM, Kosberg CL, et al. A model to predict survival in patients with end-stage liver disease. Hepatology. 2001;33(2):464-70. doi:10.1053/jhep.2001.22172
- Kim WR, Biggins SW, Kremers WK, Wiesner RH, Kamath PS, Benson JT, et al. Hyponatremia and mortality among patients on the liver-transplant waiting list. N Engl J Med. 2008;359(10):1018-26. doi:10.1056/NEJMoa0801209
- Teh SH, Nagorney DM, Stevens SR, Offord KP, Therneau TM, Plevak DJ, et al. Risk factors for mortality after surgery in patients with cirrhosis. Gastroenterology. 2007;132(4):1261-9. doi:10.1053/j.gastro.2007.01.040
- Telem DA, Schiano T, Goldstone R, Han DK, Buch KE, Chin EH, et al. Factors that predict outcome of abdominal operations in patients with advanced cirrhosis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2010;8(5):451-7. doi:10.1016/j.cgh.2009.12.015
- Northup PG, Friedman LS, Kamath PS. AGA Clinical Practice Update on surgical risk assessment and perioperative management in cirrhosis: expert review. Clin Gastroenterol Hepatol. 2019;17(4):595-606. doi:10.1016/j.cgh.2018.09.043
Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.