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DASI (Duke Activity Status Index): capacidade funcional no pré-operatório

Atualizado em

O Duke Activity Status Index (DASI) é um questionário de 12 itens publicado por Hlatky e colaboradores em 1989, no American Journal of Cardiology, que estima a capacidade funcional a partir de atividades cotidianas relatadas pelo paciente. Na avaliação pré-operatória de cirurgia não cardíaca, é a forma estruturada de medir capacidade funcional que se associou a desfechos cardiovasculares no estudo METS.

Por que estruturar a avaliação da capacidade funcional

A capacidade funcional por anamnese costuma ser imprecisa. A diretriz SBC 2024 define baixa capacidade funcional como menos de 4 equivalentes metabólicos (METs) ou incapacidade de subir dois lances de escada e recomenda estimá-la pela anamnese antes de cirurgias de risco intermediário ou alto. No estudo METS (Wijeysundera e cols., Lancet 2018), com 1.401 pacientes de 40 anos ou mais com fatores de risco cardiovascular, a avaliação subjetiva do anestesiologista teve sensibilidade de apenas 19,2% e especificidade de 94,7% para identificar quem não atingia 4 METs no teste cardiopulmonar. Das medidas estudadas, apenas o DASI associou-se ao desfecho de óbito ou IAM em 30 dias.

Os 12 itens do DASI

Cada resposta afirmativa soma o peso do item; o escore varia de 0 a 58,2:

Atividade (consegue realizar?)Pontos
Cuidar de si mesmo: comer, vestir-se, tomar banho ou usar o banheiro2,75
Caminhar dentro de casa1,75
Caminhar um ou dois quarteirões em terreno plano2,75

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Interpretação: do DASI aos METs

DASIVO2 pico estimadoMETs estimadosLeitura perioperatória
1013,9 mL/kg/min4,0Limiar clássico de baixa capacidade funcional (menos de 4 METs)
3424,2 mL/kg/min6,9Limiar do estudo METS: abaixo de 34, maior chance de óbito ou IAM em 30 dias
58,2 (máximo)34,6 mL/kg/min9,9Teto do questionário

Valores calculados pela equação VO2 pico (mL/kg/min) = 0,43 × DASI + 9,6, com METs = VO2 ÷ 3,5. Na análise do estudo METS publicada em 2020 (1.546 pacientes), cada ponto abaixo de 34 aumentou a chance de óbito ou IAM em 30 dias (razão de chances de 1,05 por ponto; IC 95% 1,00 a 1,09) e de complicações moderadas a graves (1,03 por ponto).

Diretrizes: a diretriz ESC 2022 registra que o DASI estimou o risco cardíaco com mais precisão do que a avaliação subjetiva, melhorou a estimativa baseada no RCRI e que escore abaixo de 34 associou-se a maior chance de óbito ou IAM em 30 dias. A diretriz SBC 2024 recomenda estimar a capacidade funcional pela anamnese em cirurgias de risco intermediário ou alto; o DASI é uma forma estruturada e reprodutível de fazê-lo.

Exemplo prático

Caso ilustrativo, fictício: paciente de 70 anos, hipertenso, candidato a colectomia eletiva. Responde afirmativamente aos itens de autocuidado, caminhada dentro de casa e em terreno plano, subida de um lance de escada e tarefas domésticas leves e moderadas.

Pela conversão, o paciente supera 4 METs, mas o DASI fica abaixo de 34, faixa associada a maior risco no estudo METS. A capacidade funcional se soma ao índice de risco cardíaco (como o índice de Lee ou o AUB-HAS2); a indicação de exames complementares depende do risco estimado e de o resultado poder mudar a conduta.

Limitações do DASI

O DASI é autorrelatado e mede limitação funcional de qualquer causa: artrose, sequela neurológica ou doença vascular periférica reduzem o escore sem refletir doença cardíaca, e o laudo deve registrar o motivo da limitação. O teto de cerca de 10 METs impede discriminar pacientes muito condicionados. O limiar de 34 foi definido em análise da própria coorte METS, composta por adultos de 40 anos ou mais em cirurgia eletiva com internação, e o desfecho primário teve poucos eventos (28 casos, 2%). A versão brasileira foi validada em pacientes com doença cardiovascular, com correlação moderada com o VO2 máximo (r = 0,51).

Como o DASI aparece no laudo

No Risco MED, o DASI é calculado automaticamente a partir das respostas e registrado no laudo com a pontuação e os METs estimados, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico, como o EMAPO.

Perguntas frequentes

Qual o ponto de corte do DASI no pré-operatório?

Na análise do estudo METS publicada em 2020, escore DASI abaixo de 34 associou-se a maior chance de óbito ou infarto em 30 dias após cirurgia não cardíaca. A diretriz ESC 2022 cita esse limiar.

Como converter o DASI em METs?

O VO2 pico estimado, em mL/kg/min, é 0,43 × DASI + 9,6. Dividindo esse valor por 3,5, obtêm-se os METs. Um DASI de 34 corresponde a cerca de 6,9 METs.

Existe versão do DASI em português?

Sim. A versão brasileira foi traduzida, adaptada e validada em pacientes com doença cardiovascular e publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em 2014.

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Referências

  1. Hlatky MA, Boineau RE, Higginbotham MB, et al. A brief self-administered questionnaire to determine functional capacity (the Duke Activity Status Index). Am J Cardiol. 1989;64(10):651-4.
  2. Wijeysundera DN, Pearse RM, Shulman MA, et al. Assessment of functional capacity before major non-cardiac surgery: an international, prospective cohort study. Lancet. 2018;391(10140):2631-40.
  3. Wijeysundera DN, Beattie WS, Hillis GS, et al. Integration of the Duke Activity Status Index into preoperative risk evaluation: a multicentre prospective cohort study. Br J Anaesth. 2020;124(3):261-70.
  4. Coutinho-Myrrha MA, Dias RC, Fernandes AA, et al. Duke Activity Status Index for cardiovascular diseases: validation of the Portuguese translation. Arq Bras Cardiol. 2014;102(4):383-90.
  5. Gualandro DM, Fornari LS, Caramelli B, et al. Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(9):e20240590.
  6. Halvorsen S, Mehilli J, Cassese S, et al. 2022 ESC Guidelines on cardiovascular assessment and management of patients undergoing non-cardiac surgery. Eur Heart J. 2022;43(39):3826-924.

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.