Escala Clínica de Fragilidade (CFS): níveis e uso no pré-operatório
Atualizado em
A Escala Clínica de Fragilidade (Clinical Frailty Scale, CFS) foi publicada por Rockwood e colaboradores em 2005, a partir do Canadian Study of Health and Aging, para graduar a fragilidade de idosos por julgamento clínico. Hoje tem 9 níveis (versão 2.0, de 2020) e, no perioperatório, ajuda a identificar o idoso com maior risco de morte, nova incapacidade e alta para instituição.
Os 9 níveis da Escala Clínica de Fragilidade
Não se somam pontos: o médico escolhe o nível que melhor descreve o estado habitual do paciente, considerando atividade física, controle das doenças e dependência para atividades da vida diária. Nomes da versão 2.0, com o original em inglês:
- 1. Muito em forma (Very Fit): robusto, ativo, pratica exercício com regularidade
- 2. Em forma (Fit): sem doença ativa sintomática, mas menos ativo que o nível 1
- 3. Lidando bem (Managing Well): doenças controladas, sintomas que não limitam a rotina
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Registre-se no Risco MEDComo interpretar a CFS
| Nível | Categoria | Leitura clínica |
|---|---|---|
| 1 a 3 | Não frágil | Reserva funcional preservada |
| 4 | Fragilidade muito leve | Lentificação, sem dependência; zona de vulnerabilidade |
| 5 a 6 | Fragilidade leve a moderada | Dependência crescente para atividades instrumentais e básicas |
| 7 a 8 | Fragilidade grave a muito grave | Dependência para cuidados pessoais |
| 9 | Doente terminal | Expectativa de vida inferior a 6 meses, sem fragilidade grave prévia |
No estudo original (2.305 idosos, seguimento de 5 anos), cada nível a mais na escala, então com 7 pontos, aumentou em 21,2% o risco de morte em cerca de 70 meses e em 23,9% o risco de institucionalização, após ajuste para idade, sexo e escolaridade. Em cirurgia, na coorte prospectiva de McIsaac e colaboradores (pacientes com 65 anos ou mais em cirurgia eletiva não cardíaca de grande porte), a fragilidade pela CFS associou-se a morte ou nova incapacidade em 90 dias, com razão de chances ajustada de 2,51 (IC 95% 1,50–4,21).
Exemplo prático
Caso ilustrativo (fictício): mulher de 81 anos, hipertensa e diabética, candidata a artroplastia total de quadril eletiva.
- Mora sozinha e faz a própria higiene sem ajuda
- Precisa da filha para compras, finanças e medicações
- Abandonou o serviço doméstico pesado no último ano
Dependência em atividades instrumentais, com independência nas básicas: nível 5, fragilidade leve. No laudo, esse dado justifica discutir com a equipe a reabilitação precoce, a prevenção de delirium e o planejamento da alta, além do risco cardiovascular estimado pelos demais índices.
Fragilidade no perioperatório: onde a CFS ajuda e onde engana
A fragilidade capta a reserva fisiológica, algo que índices de risco cardíaco como o índice de Lee e a classificação ASA não medem diretamente. Ela complementa, e não substitui, a avaliação da capacidade funcional. Os autores desaconselham o uso em pessoas jovens e em incapacidade estável de um único sistema (por exemplo, lesão medular), e a pontuação no paciente internado com doença aguda tende a superestimar a fragilidade se o médico não reconstruir o estado basal.
Como a CFS aparece no laudo
No Risco MED, o nível da Escala Clínica de Fragilidade é registrado no laudo com sua categoria, ao lado dos outros índices que o médico selecionar.
Perguntas frequentes
A partir de qual nível a Escala Clínica de Fragilidade indica fragilidade?
Os níveis 1 a 3 descrevem pessoas não frágeis. O nível 4 corresponde a fragilidade muito leve, e a maior parte dos estudos considera o paciente frágil a partir do nível 5.
A CFS pode ser usada em pacientes com menos de 65 anos?
Os autores informam que a escala não foi amplamente validada em pessoas mais jovens nem em pessoas com incapacidade estável de um único sistema, como lesão medular, e desaconselham seu uso nesses casos.
Qual período deve ser considerado ao pontuar a CFS?
O estado habitual do paciente nas duas semanas anteriores, e não o quadro agudo. Uma doença aguda pode fazer o paciente parecer mais frágil do que é.
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Risco cardíaco, trombótico e de sangramento, pulmonar, fragilidade, hepático e desfecho cirúrgico calculados automaticamente no mesmo laudo.
Criar conta de médicoReferências
- Rockwood K, Song X, MacKnight C, Bergman H, Hogan DB, McDowell I, et al. A global clinical measure of fitness and frailty in elderly people. CMAJ. 2005;173(5):489-95. doi:10.1503/cmaj.050051
- Rockwood K, Theou O. Using the Clinical Frailty Scale in allocating scarce health care resources. Can Geriatr J. 2020;23(3):210-5. doi:10.5770/cgj.23.463
- McIsaac DI, Taljaard M, Bryson GL, Beaulé PE, Gagné S, Hamilton G, et al. Frailty as a predictor of death or new disability after surgery: a prospective cohort study. Ann Surg. 2020;271(2):283-9. doi:10.1097/SLA.0000000000002967
- Halvorsen S, Mehilli J, Cassese S, Hall TS, Abdelhamid M, Barbato E, et al. 2022 ESC Guidelines on cardiovascular assessment and management of patients undergoing non-cardiac surgery. Eur Heart J. 2022;43(39):3826-924. doi:10.1093/eurheartj/ehac270
Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.