Escore de Apfel: risco de náuseas e vômitos no pós-operatório
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O escore de Apfel é um escore simplificado de risco de náuseas e vômitos no pós-operatório (NVPO) em adultos, publicado por Apfel e colaboradores em 1999, na Anesthesiology. Foi desenvolvido por validação cruzada entre dois centros, Oulu (Finlândia) e Würzburg (Alemanha), em 2.722 adultos submetidos a anestesia inalatória sem profilaxia antiemética, e estima a probabilidade de NVPO nas primeiras 24 horas a partir de quatro fatores.
Os 4 fatores de risco do escore de Apfel
Cada fator presente vale 1 ponto, e o total vai de 0 a 4:
- Sexo feminino
- Não tabagista
- História prévia de NVPO ou de cinetose
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Registre-se no Risco MEDInterpretação: risco de NVPO por número de fatores
| Fatores presentes | Incidência de NVPO em 24 h (estudo original) | Valor arredondado usual |
|---|---|---|
| 0 | 10% | 10% |
| 1 | 21% | 20% |
| 2 | 39% | 40% |
| 3 | 61% | 60% |
| 4 | 79% | 80% |
Os percentuais correspondem a náusea ou vômito nas primeiras 24 horas, em pacientes sob anestesia inalatória e sem profilaxia antiemética. A capacidade discriminativa do escore simplificado foi moderada, com área sob a curva ROC de 0,63 a 0,73 na validação cruzada.
Exemplo prático
Caso ilustrativo (fictício): mulher de 34 anos, não tabagista, sem história de NVPO ou cinetose, para colecistectomia videolaparoscópica com previsão de opioide no pós-operatório.
- Sexo feminino: 1 ponto
- Não tabagista: 1 ponto
- Opioide previsto no pós-operatório: 1 ponto
Total: 3 fatores, risco estimado de cerca de 60% (61% no estudo original). Pelo consenso de 2020, a paciente fica no grupo com mais de 2 fatores. A colecistectomia, embora não pontue no escore, é citada entre os procedimentos associados a maior incidência de NVPO, o que reforça o planejamento da profilaxia.
Uso perioperatório e limitações
O escore de Apfel não é índice de risco cardiovascular nem de mortalidade: ele não entra na estimativa de risco cirúrgico global feita com índices como o índice de Lee ou a classificação ASA. No laudo pré-operatório, sua função é sinalizar ao anestesiologista o paciente que se beneficia de profilaxia antiemética planejada.
O escore foi derivado com anestesia inalatória; com anestesia venosa total com propofol ou anestesia regional, o risco basal tende a ser menor que o da tabela. Um dos fatores depende do plano analgésico, que deve ser antecipado no momento do cálculo. O escore não estima náuseas e vômitos após a alta hospitalar, que têm ferramenta própria, e foi derivado apenas em adultos.
Como o escore de Apfel aparece no laudo
No Risco MED, o escore de Apfel é calculado automaticamente e registrado no laudo com o número de fatores presentes e o risco estimado de NVPO, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.
Perguntas frequentes
Quantos pontos tem o escore de Apfel?
De 0 a 4. Cada um dos quatro fatores de risco presentes vale 1 ponto, e o risco estimado de NVPO em 24 horas vai de cerca de 10%, sem nenhum fator, a cerca de 80%, com os quatro.
Qual o risco de NVPO com 2 fatores no escore de Apfel?
Cerca de 40%. No estudo original, a incidência de NVPO em 24 horas foi de 39% com dois fatores, em pacientes sob anestesia inalatória sem profilaxia antiemética.
O escore de Apfel serve para crianças?
Não. Ele foi derivado e validado em adultos e não deve ser extrapolado para a população pediátrica, que tem fatores de risco e ferramentas de estratificação próprios.
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Risco cardíaco, trombótico e de sangramento, pulmonar, fragilidade, hepático e desfecho cirúrgico calculados automaticamente no mesmo laudo.
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- Apfel CC, Läärä E, Koivuranta M, Greim CA, Roewer N. A simplified risk score for predicting postoperative nausea and vomiting: conclusions from cross-validations between two centers. Anesthesiology. 1999;91(3):693-700.
- Gan TJ, Belani KG, Bergese S, Chung F, Diemunsch P, Habib AS, et al. Fourth consensus guidelines for the management of postoperative nausea and vomiting. Anesth Analg. 2020;131(2):411-48. doi:10.1213/ANE.0000000000004833
Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.