Escore de Pádua: risco de TEV no paciente clínico internado
Atualizado em
O escore de Pádua (Padua Prediction Score), publicado por Barbar e colaboradores em 2010, estima o risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes clínicos internados. Foi derivado em 1.180 pacientes consecutivos de um departamento de medicina interna, acompanhados por até 90 dias, e não em pacientes cirúrgicos.
As 11 variáveis do escore de Pádua
Cada fator presente soma de 1 a 3 pontos, até o máximo de 20:
| Fator de risco | Pontos |
|---|---|
| Câncer ativo | 3 |
| TEV prévio (exceto trombose venosa superficial) | 3 |
| Mobilidade reduzida | 3 |
Veja todas as variáveis e a pontuação completa do escore de Pádua no Risco MED. Faça seu cadastro gratuito e o índice completo é calculado automaticamente no laudo.
Registre-se no Risco MEDClasses de risco e ponto de corte
| Pontos | Classe | TEV em 90 dias (estudo original) |
|---|---|---|
| 0–3 | Baixo risco | 0,3% (2 de 711) |
| ≥4, sem profilaxia | Alto risco | 11,0% (31 de 283) |
| ≥4, com profilaxia | Alto risco | 2,2% (4 de 186) |
Na coorte de derivação, 39,7% dos pacientes tiveram 4 pontos ou mais. Nos pacientes de alto risco, a profilaxia na internação associou-se a menor incidência de TEV (razão de risco de 0,13; IC 95% de 0,04 a 0,40), com sangramento em 1,6% dos que a receberam. Por se tratar de coorte observacional, a profilaxia não foi alocada de forma aleatória.
Exemplo prático
Caso ilustrativo (fictício): mulher de 74 anos internada na clínica médica por insuficiência cardíaca descompensada e pneumonia, restrita ao leito, com colecistectomia planejada após a compensação.
- Mobilidade reduzida: 3 pontos
- Idade ≥70 anos: 1 ponto
- Insuficiência cardíaca e/ou respiratória: 1 ponto
- Infecção aguda: 1 ponto
Total: 6 pontos, alto risco de TEV durante a internação clínica. O risco ligado à colecistectomia é estimado à parte, pelo Caprini, no momento da cirurgia.
Quando o Pádua ainda é relevante no laudo pré-operatório
Na avaliação pré-operatória, o Pádua tem lugar quando o paciente está internado por doença clínica e aguarda o procedimento: o período até a cirurgia é uma internação clínica, e a decisão sobre profilaxia nesse intervalo segue a lógica do paciente clínico. Também é útil em procedimentos de pequeno porte em paciente internado por doença clínica, em que o risco trombótico decorre sobretudo da doença de base. Nesses casos, o laudo deve registrar o Pádua para a internação atual e o Caprini para a cirurgia planejada, sem misturar os dois.
Limitações: derivação em centro único, discriminação apenas razoável nas validações externas e, segundo a diretriz da American Society of Hematology (ASH) de 2018, ausência de análises de impacto extensas sobre o uso do escore na prática. A mesma diretriz cita Pádua e IMPROVE-VTE como os modelos mais estudados e orienta integrar o risco de TEV ao de sangramento, para o qual existe o IMPROVE-Bleeding.
Como o escore de Pádua aparece no laudo
No Risco MED, o escore de Pádua é calculado automaticamente e registrado no laudo com a pontuação total e a classe de risco de TEV, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.
Perguntas frequentes
O escore de Pádua pode ser usado em paciente cirúrgico?
Ele foi derivado em pacientes clínicos internados em enfermaria de medicina interna e não pontua o porte nem o tipo da cirurgia. Para estimar o risco de TEV associado ao procedimento, a ferramenta adequada é o escore de Caprini.
Qual o ponto de corte do escore de Pádua?
4 pontos. Pacientes com 4 ou mais pontos são classificados como alto risco de TEV. No estudo original, o TEV em 90 dias foi de 11,0% nos pacientes de alto risco sem profilaxia e de 0,3% nos de baixo risco.
Qual a diferença entre o escore de Pádua e o IMPROVE-VTE?
Ambos estimam o risco de TEV em pacientes clínicos internados. O Pádua tem 11 itens, foi derivado em 1.180 pacientes de um único centro e usa o corte de 4 pontos. O IMPROVE-VTE tem 7 itens, foi derivado em um registro multinacional de 15.156 pacientes e classifica o risco em baixo (0 a 1), moderado (2 a 3) e alto (4 ou mais).
Gere o laudo completo com até 22 índices em cerca de 3 minutos
Risco cardíaco, trombótico e de sangramento, pulmonar, fragilidade, hepático e desfecho cirúrgico calculados automaticamente no mesmo laudo.
Criar conta de médicoReferências
- Barbar S, Noventa F, Rossetto V, Ferrari A, Brandolin B, Perlati M, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450-7.
- Schünemann HJ, Cushman M, Burnett AE, Kahn SR, Beyer-Westendorf J, Spencer FA, et al. American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism: prophylaxis for hospitalized and nonhospitalized medical patients. Blood Adv. 2018;2(22):3198-225.
- Gould MK, Garcia DA, Wren SM, Karanicolas PJ, Arcelus JI, Heit JA, et al. Prevention of VTE in nonorthopedic surgical patients: Antithrombotic Therapy and Prevention of Thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines. Chest. 2012;141(2 Suppl):e227S-e277S.
Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.