R$ 5,00 de crédito para começar Gere laudos completos em minutos com automação e assinatura digital com o app Risco MED
Testar agora

P-POSSUM: como calcular e interpretar o risco cirúrgico

Atualizado em

O P-POSSUM (Portsmouth POSSUM) é a recalibração, feita pelo grupo de Portsmouth (Whiteley e cols., 1996; Prytherch e cols., 1998), da equação de mortalidade do POSSUM (Physiological and Operative Severity Score for the enUmeration of Mortality and morbidity), criado por Copeland e cols. em 1991 para auditoria cirúrgica. Combina um escore fisiológico de 12 variáveis e um escore de gravidade operatória de 6 variáveis para estimar mortalidade e morbidade pós-operatórias, sobretudo em cirurgia geral.

POSSUM e P-POSSUM: o que mudou

As variáveis são as mesmas nos dois modelos, cada uma pontuada em 1, 2, 4 ou 8 pontos conforme a gravidade. A diferença está na equação de mortalidade: o POSSUM original superestimava os óbitos, de forma mais acentuada em pacientes de baixo risco, e o grupo de Portsmouth propôs uma nova equação, calibrada em sua própria série de cirurgia geral. Para morbidade, continua-se usando a equação do POSSUM.

As variáveis do escore fisiológico

Cada variável recebe 1, 2, 4 ou 8 pontos, e a soma forma o escore fisiológico (EF):

Variável1 ponto2 pontos4 pontos8 pontos
IdadeAté 60 anos61 a 70 anos71 anos ou mais–
Sinais cardíacosSem insuficiência cardíacaDiurético, digoxina, antianginoso ou anti-hipertensivoEdema periférico, varfarina ou cardiomegalia limítrofeTurgência jugular ou cardiomegalia
Sinais respiratóriosSem dispneiaDispneia aos esforços ou DPOC leveDispneia limitante ou DPOC moderadaDispneia em repouso

Veja todas as variáveis e a pontuação completa do P-POSSUM no Risco MED. Faça seu cadastro gratuito e o índice completo é calculado automaticamente no laudo.

Registre-se no Risco MED

O escore operatório (EO) é formado por 6 variáveis da cirurgia, pontuadas da mesma forma.

Equações e interpretação do P-POSSUM

O P-POSSUM não tem classes fixas: o resultado é um risco contínuo, obtido por regressão logística, em que R é o risco previsto e ln[R/(1 − R)] é calculado como abaixo.

Modeloln[R/(1 − R)]
POSSUM, morbidade−5,91 + 0,16 × EF + 0,19 × EO
POSSUM, mortalidade−7,04 + 0,13 × EF + 0,16 × EO
P-POSSUM, mortalidade−9,065 + 0,1692 × EF + 0,155 × EO

Para ilustrar a diferença entre os modelos, a tabela abaixo aplica as equações a combinações hipotéticas de escores (valores calculados, não observados):

EF / EOMortalidade P-POSSUMMortalidade POSSUMMorbidade POSSUM
14 / 80,4%1,9%10,4%
17 / 111,1%4,4%25,0%
25 / 168,7%22,6%75,6%
35 / 2464,0%79,4%98,6%
Atenção: o P-POSSUM não é um índice de risco cardiovascular e não substitui os índices usados na diretriz SBC 2024, como o índice de Lee. Foi desenvolvido para auditoria, isto é, para comparar mortalidade observada e esperada em grupos de pacientes; a estimativa individual deve ser lida com cautela, e a calibração varia entre populações e especialidades.

Exemplo prático

Caso ilustrativo, fictício: paciente de 72 anos, em uso de anti-hipertensivo, hemoglobina de 11,8 g/dL, demais parâmetros fisiológicos normais, para colectomia eletiva por adenocarcinoma.

Mortalidade prevista pelo P-POSSUM: 1,1%. Pelo POSSUM original, a mortalidade seria de 4,4%, e a morbidade prevista pelo POSSUM é de 25%.

Uso perioperatório e limitações

No pré-operatório, o escore operatório é uma estimativa: perda sanguínea, contaminação peritoneal e extensão da neoplasia só se confirmam durante ou após a cirurgia, e o laudo deve informar que esses itens foram presumidos. As unidades seguem o original britânico: ureia em mmol/L (7,5 mmol/L correspondem a cerca de 45 mg/dL de ureia, não de BUN) e hemoglobina em g/dL. O modelo foi derivado em cirurgia geral; existem variantes para cirurgia colorretal (CR-POSSUM) e vascular (V-POSSUM). Para risco global em outras especialidades, a calculadora NSQIP e a classificação ASA complementam a avaliação.

Como o P-POSSUM aparece no laudo

No Risco MED, o P-POSSUM é calculado automaticamente e registrado no laudo com os escores fisiológico e operatório e as estimativas de mortalidade e morbidade, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre POSSUM e P-POSSUM?

Os dois usam as mesmas 18 variáveis. O P-POSSUM, desenvolvido em Portsmouth, recalibrou a equação de mortalidade porque o POSSUM original superestimava os óbitos, principalmente em pacientes de baixo risco. A morbidade continua sendo estimada pela equação do POSSUM.

O P-POSSUM pode ser calculado antes da cirurgia?

Em parte. O escore fisiológico é obtido no pré-operatório, mas itens do escore operatório, como perda sanguínea, contaminação peritoneal e extensão da neoplasia, só são conhecidos durante ou após a cirurgia. Antes da operação, esses itens precisam ser estimados.

O P-POSSUM avalia risco cardíaco?

Não. É um escore de desfecho cirúrgico global, criado para auditoria em cirurgia geral. Para o risco cardiovascular, usam-se índices como o de Lee, o AUB-HAS2 ou o EMAPO, citados na diretriz SBC 2024.

Gere o laudo completo com até 22 índices em cerca de 3 minutos

Risco cardíaco, trombótico e de sangramento, pulmonar, fragilidade, hepático e desfecho cirúrgico calculados automaticamente no mesmo laudo.

Criar conta de médico

Referências

  1. Copeland GP, Jones D, Walters M. POSSUM: a scoring system for surgical audit. Br J Surg. 1991;78(3):355-60.
  2. Whiteley MS, Prytherch DR, Higgins B, Weaver PC, Prout WG. An evaluation of the POSSUM surgical scoring system. Br J Surg. 1996;83:812-5.
  3. Prytherch DR, Whiteley MS, Higgins B, et al. POSSUM and Portsmouth POSSUM for predicting mortality. Br J Surg. 1998;85(9):1217-20.
  4. Gualandro DM, Fornari LS, Caramelli B, et al. Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(9):e20240590.

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.