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IMPROVE-Bleeding: escore de risco de sangramento no paciente clínico internado

Atualizado em

O IMPROVE-Bleeding é o escore de risco de sangramento derivado do registro IMPROVE, publicado por Decousus e colaboradores em 2011. Estima o risco de sangramento intra-hospitalar nos 14 dias seguintes à admissão em pacientes clínicos internados, com fatores disponíveis já na entrada, e usa o ponto de corte de 7 pontos.

As variáveis do IMPROVE-Bleeding

São 11 fatores com pesos de 1 a 4,5 pontos, e a soma máxima é de 30,5. Os três de maior peso:

Fator de riscoPontos
Úlcera gastroduodenal ativa4,5
Sangramento nos 3 meses anteriores à admissão4
Plaquetas <50 × 109/L4

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Ponto de corte de 7 pontos

PontosClasseSangramento maior em 14 diasSangramento maior ou clinicamente relevante
<7Sem aumento de risco0,4%1,5%
≥7Risco aumentado4,1%7,9%

Valores estimados na coorte de derivação, em que cerca de 90% dos pacientes tiveram menos de 7 pontos. Nas validações externas, a separação se manteve, com taxas menores: em 12.082 pacientes (Rosenberg, 2016), sangramento maior de 1,5% abaixo de 7 e de 3,2% com 7 ou mais (área sob a curva ROC de 0,63); em 1.155 pacientes (Villiger, 2023), 0,47% e 3,4%.

Diretriz ASH 2018: a diretriz da American Society of Hematology recomenda profilaxia farmacológica em pacientes clínicos agudamente enfermos com risco de sangramento aceitável e profilaxia mecânica quando o risco de sangramento é inaceitável. Ela cita o IMPROVE-Bleeding como ferramenta para identificar esses pacientes, mas não transforma o corte de 7 pontos em regra de conduta.

Como combinar com os escores de TEV

O IMPROVE-Bleeding só faz sentido ao lado de um escore de risco trombótico, o escore de Pádua ou o IMPROVE-VTE. Um raciocínio prático, alinhado à ASH 2018:

Exemplo prático

Caso ilustrativo (fictício): homem de 78 anos internado por insuficiência cardíaca descompensada, restrito ao leito, com taxa de filtração glomerular abaixo de 30 e cateter venoso central; Pádua de 5 pontos (mobilidade reduzida, idade ≥70 anos e insuficiência cardíaca).

Total: 7 pontos, risco aumentado de sangramento, com alto risco de TEV. O laudo registra os dois escores e a decisão sobre profilaxia farmacológica ou mecânica fica individualizada.

Uso no perioperatório e limitações

O escore foi derivado em pacientes clínicos e mede o sangramento da internação, não o do procedimento. No paciente cirúrgico, o risco hemorrágico depende sobretudo do tipo de cirurgia, e o risco trombótico é estimado pelo escore de Caprini. No laudo pré-operatório, o IMPROVE-Bleeding é útil no paciente internado por doença clínica que aguarda o procedimento. Limitações: discriminação modesta nas validações e poucos pacientes acima do corte, o que limita a sensibilidade.

Como o IMPROVE-Bleeding aparece no laudo

No Risco MED, o IMPROVE-Bleeding é calculado automaticamente e registrado no laudo com a pontuação total e a classe de risco de sangramento, ao lado dos demais índices selecionados pelo médico.

Perguntas frequentes

Qual o ponto de corte do IMPROVE-Bleeding?

7 pontos. Escore igual ou maior que 7 indica risco aumentado de sangramento. Na derivação, o sangramento maior em 14 dias foi estimado em 4,1% nesse grupo, contra 0,4% nos pacientes abaixo de 7.

IMPROVE-Bleeding de 7 ou mais contraindica a profilaxia farmacológica?

Não de forma automática. A diretriz da ASH de 2018 orienta integrar o risco de TEV e o de sangramento na decisão e, quando o risco de sangramento é considerado inaceitável, preferir a profilaxia mecânica. O escore ajuda a identificar esses pacientes, mas não define sozinho a conduta.

O IMPROVE-Bleeding serve para estimar o sangramento da cirurgia?

Não. Ele foi derivado em pacientes clínicos internados e estima o sangramento intra-hospitalar nos 14 dias seguintes à admissão. O risco hemorrágico de um procedimento depende sobretudo do tipo de cirurgia e deve ser avaliado à parte.

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Referências

  1. Decousus H, Tapson VF, Bergmann JF, Chong BH, Froehlich JB, Kakkar AK, et al. Factors at admission associated with bleeding risk in medical patients: findings from the IMPROVE investigators. Chest. 2011;139(1):69-79.
  2. Schünemann HJ, Cushman M, Burnett AE, Kahn SR, Beyer-Westendorf J, Spencer FA, et al. American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism: prophylaxis for hospitalized and nonhospitalized medical patients. Blood Adv. 2018;2(22):3198-225.
  3. Rosenberg DJ, Press A, Fishbein J, Lesser M, McCullagh L, McGinn T, et al. External validation of the IMPROVE Bleeding Risk Assessment Model in medical patients. Thromb Haemost. 2016;116(3):530-6.
  4. Villiger R, Julliard P, Darbellay Farhoumand P, Choffat D, Tritschler T, Stalder O, et al. Prediction of in-hospital bleeding in acutely ill medical patients: external validation of the IMPROVE bleeding risk score. Thromb Res. 2023;230:37-44.

Conteúdo informativo para médicos. Os índices apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico.