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Diretrizes da SBC no laudo de risco cirúrgico: avaliação perioperatória 2024 e insuficiência cardíaca 2026

Atualizado em

O Risco MED aplica duas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) no laudo de risco cirúrgico: a Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória de 2024 e a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca (IC) de 2026. As duas entram como recomendações pré-marcadas na conclusão do laudo, e o médico revisa, edita ou desmarca cada uma antes de assinar.

O que mudou nas diretrizes para quem faz a avaliação pré-operatória

A SBC 2024 definiu quando dosar peptídeo natriurético antes da cirurgia e como vigiar o pós-operatório. A diretriz de IC 2026 mudou a classificação da IC e a lista de medicamentos que o avaliador precisa conferir. Nenhuma das duas mudou os índices de risco cirúrgico.

Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da SBC – 2024

Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca – 2026

A diretriz de IC 2026 gradua as recomendações pelo sistema GRADE (força forte ou fraca; certeza da evidência de alta a muito baixa) e não tem capítulo de cirurgia não cardíaca. O que muda no pré-operatório é a leitura do paciente com IC:

O que o Risco MED faz com cada diretriz

O sistema lê os dados já lançados no laudo (idade, comorbidades, exames, ecocardiograma, medicamentos pelo princípio ativo e índices calculados) e pré-marca a recomendação correspondente. Duas linhas não vêm das diretrizes da SBC; a coluna "base" diz de onde vêm.

Diretriz SBC 2024 (avaliação perioperatória)
Quando o sistema sugereO que aparece no laudoBase
Mais de 65 anos, ou 45 a 64 anos com doença cardiovascular ou fator de risco, sem BNP ou NT-proBNP lançadoDosar BNP ou NT-proBNP antes da cirurgia para refinar a estratificação do risco cardiovascularSBC 2024
Algum índice cardíaco em risco alto (Lee, Goldman, Detsky, ACP, EMAPO, Larsen, NSQIP-MICA, AUB-HAS2 ou VSG-CRI)Pós-operatório em UTI por 48 horas, com dosagem seriada de troponinaSBC 2024
BNP ≥ 92 pg/mL ou NT-proBNP ≥ 300 pg/mLECG no pós-operatório imediato e troponina diária por 48 a 72 horasDiretriz canadense (CCS 2017)
Cirurgia vascular arterial (endarterectomia de carótida, revascularização de membro inferior, correção de aneurisma de aorta)Resultado do VSG-CRI, com a taxa prevista de eventos cardíacosSBC 2024
Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca 2026
Quando o sistema sugereO que aparece no laudo (resumido)Base
BNP ≥ 35 ou NT-proBNP ≥ 125 pg/mL, sem IC conhecida e sem ecocardiogramaSolicitar ecocardiograma transtorácicoIC 2026
FEVE < 50% no ecocardiogramaICFEr: manter a terapia de IC (exceto iSGLT2), controlar a volemia, avaliação pela cardiologiaIC 2026
IC com FEVE < 50% sem uma das 4 classes da terapia fundamentalEncaminhar à cardiologia para otimizar o tratamento, com as classes que faltam nomeadasIC 2026
IC com diltiazem ou verapamil (FEVE < 50%), saxagliptina ou glitazonaA diretriz recomenda contra; rever a prescrição, com o medicamento do paciente nomeadoIC 2026
Digoxina em usoManter, sem suspensão de rotina; nível sérico alvo de 0,5 a 0,9 ng/mLIC 2026
IC com ferritina < 100 ng/mL, ou 100 a 299 ng/mL com saturação de transferrina < 20%Considerar ferro intravenoso (carboximaltose férrica ou derisomaltose férrica) antes da cirurgiaIC 2026
iSGLT2 em uso (dapagliflozina, empagliflozina e outros), com ou sem ICSuspender 3 dias antes da cirurgia (ertugliflozina: 4 dias) pelo risco de cetoacidoseOrientação perioperatória da FDA

Para isso, o laudo ganhou dois campos de exame: ferritina e saturação de transferrina. A suspensão do iSGLT2 não é recomendação da diretriz de IC; entrou no mesmo bloco porque a diretriz de 2026 amplia o uso desses medicamentos e, com ele, o número de pacientes que chegam à avaliação em uso deles.

Como aparece no laudo: caso ilustrativo

Caso ilustrativo, fictício. Mulher de 71 anos, hipertensa e diabética sem insulina, com IC e FEVE de 45% em ecocardiograma de 6 meses atrás, em classe funcional II, para artroplastia total de quadril eletiva. Em uso de enalapril, carvedilol, dapagliflozina e furosemida. Creatinina 1,1 mg/dL; ferritina 80 ng/mL; BNP não dosado.

O índice de Lee não muda com a diretriz de 2026: 1 ponto (história de IC), classe II. O que muda é a leitura da FEVE de 45%, hoje ICFEr. Com esses dados, o sistema pré-marca:

  1. Dosar BNP ou NT-proBNP antes da cirurgia para refinar a estratificação do risco cardiovascular.
  2. IC com fração de ejeção reduzida: manter a terapia de IC (exceto iSGLT2), controlar a volemia e avaliação pela cardiologia.
  3. Encaminhar à cardiologia para otimizar o tratamento: ausência de antagonista mineralocorticoide (espironolactona ou eplerenona).
  4. Considerar ferro intravenoso (carboximaltose férrica ou derisomaltose férrica) antes da cirurgia.
  5. Suspender a dapagliflozina 3 dias antes da cirurgia, pelo risco de cetoacidose.

O avaliador, que já é o cardiologista da paciente, editou o item 3 para registrar a própria conduta e manteve os demais. Se o BNP vier ≥ 92 pg/mL, o laudo passa a sugerir ECG no pós-operatório imediato e troponina diária por 48 a 72 horas. A conclusão continua a informar o risco estimado e os índices que o sustentam, como em qualquer laudo de risco cirúrgico.

Limites: o sistema sugere, o médico decide

As sugestões organizam o que as diretrizes dizem a partir dos dados lançados; a conduta é do médico que assina o laudo.

Perguntas frequentes

O que mudou na diretriz de insuficiência cardíaca 2026?

A IC passou a ser classificada em ICFEr (FEVE < 50%) e ICFEp (FEVE ≥ 50%), sem a categoria "levemente reduzida". As recomendações seguem o sistema GRADE. A ICFEr mantém 4 classes de terapia fundamental: IECA, BRA ou sacubitril-valsartana; betabloqueador; espironolactona ou eplerenona; e iSGLT2.

A diretriz de IC 2026 mudou o cálculo do risco cirúrgico?

Não. A diretriz não tem capítulo de cirurgia não cardíaca, e os índices de risco (Lee, Goldman, EMAPO, VSG-CRI e os demais) são os mesmos. Mudam a classificação da IC e as recomendações que o avaliador pode registrar no laudo.

Quando dosar BNP ou NT-proBNP no pré-operatório?

Pela SBC 2024, antes de cirurgia não cardíaca em pacientes com mais de 65 anos, ou de 45 a 64 anos com doença cardiovascular estabelecida ou fator de risco (diabetes, hipertensão, doença coronária, obesidade ou fibrilação atrial), com classe I e nível de evidência B.

Quantos dias antes da cirurgia suspender a dapagliflozina?

A orientação da FDA é suspender canagliflozina, dapagliflozina e empagliflozina pelo menos 3 dias antes da cirurgia programada, e a ertugliflozina 4 dias antes, pelo risco de cetoacidose. A reintrodução ocorre quando a ingestão oral volta ao habitual. Essa orientação não vem das diretrizes da SBC.

Qual o critério de deficiência de ferro na IC?

Na diretriz de IC 2026, ferritina < 100 ng/mL (deficiência absoluta) ou ferritina de 100 a 299 ng/mL com saturação de transferrina < 20% (deficiência funcional). Na ICFEr sintomática, a diretriz recomenda ferro intravenoso com carboximaltose férrica ou derisomaltose férrica.

O Risco MED é endossado pela SBC?

Não. O sistema segue as diretrizes publicadas da SBC e não tem parceria, selo ou endosso da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

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Referências

  1. Gualandro DM, Fornari LS, Caramelli B, et al. Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(9):e20240590. doi:10.36660/abc.20240590
  2. Simões MV, Moura LZ, Alves SMM, Mourilhe-Rocha R, Danzmann LC, Figueiredo Neto JA, Marcondes-Braga FG, et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca – 2026. Arq Bras Cardiol. 2026;123(10):e20260830. doi:10.36660/abc.20260830
  3. Duceppe E, Parlow J, MacDonald P, et al. Canadian Cardiovascular Society guidelines on perioperative cardiac risk assessment and management for patients who undergo noncardiac surgery. Can J Cardiol. 2017;33(1):17-32.
  4. U.S. Food and Drug Administration. Alteração de bula dos inibidores de SGLT2: suspensão antes de cirurgia programada. Mar 2020.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde. Os índices e as sugestões do sistema apoiam, mas não substituem, o julgamento clínico do médico responsável; a decisão sobre a cirurgia é da equipe assistente. A menção às diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia não implica afiliação nem endosso da SBC ao Risco MED.